Há poucas semanas, uma pessoa me adicionou no MSN, disse que viu um link para um artigo meu sobre scrum, e gostaria de conversar um pouco sobre como eles “falharam” com scrum na empresa dele. Vou chamá-lo de Tião.
Conversando com o Tião, foi facilmente perceptível que eles (a empresa) não tinha nenhuma visão sobre a filosofia dos processos ágeis, o que realmente esta por trás do conceito de agilidade.
O Tião me disse, que eles tinham post-its na parede, fizeram gráficos de burn-down, reuniões diárias e tudo, mas acontecia de frequentemente o cliente mudar os itens do Sprint Backlog corrente, o cliente não sabia que eles estavam trabalhando “diferente”, então tinham qeu arrumar meios para ajustar isso a o que eles precisavam para fazer o scrum funcionar, quase não tinham testes, acabava voltando muitos erros dos pacotes gerados ao final dos sprints, e por ai vai.
Desde então venho prestando atenção em relatos desse tipo, seja de pessoas que entram em contato diretamente comigo ou em foruns, lista de email, conversas com amigos de outras empresas.
Muito gente bate forte no peito hoje pra dizer que “trabalha com agilidade”, outro relato, uma conhecida minha disse que era bem legal trabalhar com desenvolvimento ágil, o chato era ter que ficar passando o conteúdo dos post-its para o software de gerenciamento de projetos, aquele famoso sabe, que gera aquele gráfico bonitinho que os “gerentes da década de 90″ adoram. Ai eu pensei, WTF ?!?!?!?!?!
Pior que isso, é que as pessoas eram encorajadas a documentar seu dia-a-dia, assim trocaram as reuniões diárias por semanais. Mas espera, um dos principais princípios (vantagens) da agilidade não é a comunicação e interação entre os indivíduos?
Sem precisar pesquisar muito, achei um blog (que não vou citar para não expor a empresa, até porque nem conheço rs) onde um dos funcionários dessa empresa “metia o pau” no scrum, depois de 6 meses, o projeto simplesmente esculhambou e deu errado. Vendo posts anteriores encontra-se facilmente relatos falando que por exemplo eles achavam reuniões diárias muito informais, então preferiram colocar tudo o que faziam num documento compartilhado no google docs, e o mesmo foi usado para os itens do sprint, e ao FINAL do sprint planilha “computava” os dados gerava automaticamente um super hiper mega gráfico de burn-down para eles analisarem a performance do sprint. Mas depois que o sprint terminou eles vão COMEÇAR olhar o burn-down daquele sprint???
Tem outros casos, mas esses já ilustram os mais comuns que devem ter por ai. O que me pergunto é, as empresas estão usando a “moda” de agilidade para colocar a culpa em outras coisas e não neles mesmos? Do tipo, “olha isso ai não funciona, se fosse bom agente tinha feito corretamente o projeto!”.
O que mais se percebe é que as pessoas envolvidas nesses casos, não tinham nem conhecimento “técnico” necessário para adicionar um modelo ágil numa empresa, e muito menos sabiam os valores reais da agilidade, o que se “prega” no Lean, no Manifesto Ágil, será que isso não pode gerar uma certa fatia de empresas, pessoas e mercado, que vão acabar vendo o “modelo ágil” de forma errada?
Não estariam fazendo o mesmo que fizeram com RUP (salvas as devidas proporções)? Implantando modelos errados e passando uma propaganda negativa?
Óbvio que mesmo os modelos de agilidade não vão dar 100% de sucesso, agora se feitos de maneira correta, terão uma porcentagem infinitamente superior aos feitos incorretamente. Parece que estão resumindo o processo de desenvolvimento ágil a usar nomes bonitos e colar coisas coloridas nas paredes.
Espero que sejam casos isolados, pois estou vendo muitos casos de Agile do Paraguai por ai, pessoas achando que paredes coloridas e tempos curtos de entrega resolvem os problemas de gestão de projetos das empresas, deixando de lado o conceito real de agilidade, de equipes que melhoram juntas, de comunicação e interação fácil entre as pessoas.
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Fala Luiz, é realmente complicado. As pessoas acham que para ser ágil basta usar os “métodos” e pronto.Aqui na empresa onde trabalho usamos algumas ‘coisas’ da MA.Eu sou amante do XP. Lendo este posy eu lembrei o que o Kent Beck fala em seu livro XP – explicada..
“Você só pode dizer que usa XP se aderir a todos os princípios, senão não culpe o XP pelo fracasso”..
Bem é isso, gosto bastante dos assuntos que você posta.. a cada post fico ansioso pelo próximo
Grande abraço..
[...] mas IHMO este artigo mostra o motivo de alguns projetos, ou seriam vários? já que agilidade virou “modinha” e diversas empresas por ai utilizam agilidade como um atrativo de venda e esquecem dos valores e conceitos da Agilidade… criando agilidade enlatada como se fosse possível encontrar na prateleira de um supermercado! criando assim uma agilidade do paraguai [...]